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Qualidade de Vida

Sementes do amanhã


Aumento da expectativa de vida leva não só a reinventar a velhice, mas a ponderar sobre as escolhas da juventude.

A influência das escolhas individuais na qualidade de vida futura foi o tema da palestra do economista e filósofo Eduardo Gianetti da Fonseca intitulada “O Futuro Chegou”, durante o I Fórum da Longevidade (*). Para Gianetti , o aumento da expectativa de vida faz com que a relação entre presente e futuro torne-se mais importante do que nunca, pois está aumentando o tempo em que vamos colher o que plantamos lá atrás.

Essa questão, que é abordada pelo economista em seu último livro, “O Valor do Amanhã”, se aplica a todos os aspectos da vida. Ele dá o exemplo do tabagismo, que se tornou um grave problema de saúde pública nas última décadas. Quando as pessoas viviam em média 50, 60 anos, os efeitos de longo prazo de fumar eram virtuais, porque a maioria delas morria de outras causas antes de aparecerem os danos do tabagismo. “Se você passa a viver 80, 90 anos, a possibilidade de ter que pagar o ‘juro’ devido por ter fumado ao longo da vida é muito mais concreta, então as pessoas passam naturalmente a se preocupar mais com isso”, observa.

Gianetti, nessa relação, que ele chama de termos de troca entre presente e futuro, existem duas possibilidades: uma é viver agora e pagar depois, que é a posição devedora. A outra é pagar agora e viver depois, como credores. “Neste caso, você visa um benefício futuro, que será a recompensa da espera. E, na posição devedora, o termo de troca entre presente e futuro é o preço da impaciência: quanto você está disposto a pagar, mais à frente, para poder dispor de algum benefício desde já?”, questiona.

O problema, de acordo com o economista, é que não basta saber o que é melhor, porque muitas vezes sucumbimos às tentações do aqui e agora. “Todos nós somos mestres em poupar o dinheiro que ainda não ganhamos. É como pensar na dieta de estômago cheio. É uma coisa abstrata. Na hora que o dinheiro está na conta ou no bolso, aquela sua preferência pelo longo prazo se reverte: você sucumbe à tentação do consumo nesse momento,” Ele lembra, ainda, o exemplo do despertador que você coloca para tocar, certo de que quer acordar cedo no dia seguinte, mas, quando toca, você desliga.

Segundo Gianetti, o cérebro humano não funciona de maneira uniforme – o sistema límbico, que é uma parte mais primitiva do cérebro, busca a gratificação imediata: já o córtex pré-frontal nos faz avaliar racionalmente os prós e contras das diferentes escolhas, e há um embate entre os dois. “É como se a cigarra e a formiga habitassem o cérebro da mesma pessoa. De vez em quando a cantoria da cigarra ofusca, domina a prudência da formiga. Mas eu não digo isso em tom condenatório. Acho que o legal da vida é que esse conflito está sempre lá, é uma tensão.” Há também, segundo Gianetti, a armadilha contrária, que é quando se enxerga o futuro de forma tão ameaçadora que a pessoa se priva de prazeres e oportunidades.

O economista lembra que na trajetória normal da vida temos a infância, a juventude, a maturidade e a velhice. Para cada uma dessas etapas, há uma psicologia temporal característica. “As crianças são muito imediatistas e impacientes, a juventude é muito impulsiva, a maturidade é uma época de equilíbrio de forças e a velhice é quando você vai colher os frutos que plantou ou deixou de plantar lá atrás”.

Em sua opinião, o aumento da expectativa de vida nos leva não apenas a reinventar a velhice, mas também a repensar todas as etapas anteriores, especialmente a da juventude, quando fazemos escolhas que irão se refletir ao longo de décadas, até o final da vida, justo no momento em que estamos menos preparados para isso.

Fonte: Informe Publicitário - Revista Veja