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Quinta, 21 de Dezembro de 2017 - Bom dia!
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Qualidade de Vida

Quando não existe diálogo entre pais e filhos


Existe um belo e popular conto do falecido escritor israelense e ganhador do Prêmio Nobel, Shmuel Losef Agnon, chamado O RELATO DA CABRA. Merece ser relembrado. Envolto em toques fantásticos, encobre uma dramática realidade cotidiana.

Trata-se de um cidadão enfermo que tinha uma cabra. De tempos em tempos, a cabra desaparecia e, ao voltar, trazia em suas mamas, um leite estranho que, ao ser tomado pelo ancião, restituía-lhe parte da saúde perdida.

O ancião estava maravilhado com esse leite. Seu filho – jovem, curioso – decidiu averiguar para onde ia a cabra e de que lugar extraia esse néctar em forma de leite. Seguiu-a. Viu que ela se escondia numa cova escura. Por caminhos tortuosos, chegava a um alegre e estranho país. Comia de seus frutos e logo voltava ao lar. O país era a terra de Israel. O filho estabeleceu-se nesse país. Mas quis que também seu velho pai seguisse a cabra, percorresse o mesmo caminho e se unisse a ele nessa terra deliciosa. Que fez? Escreveu uma carta ao pai e a colocou na orelha da cabra. Esta voltou à casa do ancião, que viu que seu filho não havia voltado com ela. Então supôs que ele tivesse se perdido, definitivamente por causa do animal. O velho enfureceu-se e matou-a em sua cólera vingativa.

Depois de morta, a mensagem de seu filho caiu de sua orelha. O ancião compreendeu o que tinha feito e chorou copiosamente. A cabra estava morta e agora não havia meios de percorrer o prodigioso caminho que o conduzisse até o seu filho. Triste sina. O ancião descobre a verdade, mas tarde demais, quando a cabra já não existia. A ponte que poderia uni-lo a seu filho havia rompido definitivamente. O isolamento se havia tornado absoluto e radical. Muitos filhos e muitos pais poderiam contar uma estória parecida. Impõem-se o abismo entre as gerações e ambas as partes são incapazes de evitá-lo no devido tempo. Quando tomam plena consciência da situação, costuma ser muito tarde.

Esta falta de comunicação entre pais e filhos não é de hoje. Sempre existiu. Tampouco se pode acusar apressadamente uma das partes. Seria ingênuo demais. Se bem que, no conto de Agnon é o pai que não mostra capacidade para receber a mensagem, quem sabe o filho não a enviou na forma correta. Cada um arca com a sua responsabilidade. PERGUNTE A SEU PAI, E ELE LHE DIRÁ, aconselha Moisés, pouco antes de morrer.

Nem sempre os filhos perguntam. Nem sempre os pais respondem. Nem sempre a resposta é adequada à pergunta. Assim se produzem os desníveis comunicativos. E, no ínterim, a cabra morre. Também não se deve ser fatalista. Nada está regulamentado e pré-estabelecido no que diz respeito às relações humanas, entre pai-filhos-irmãos. Elias, o sacerdote, não teve linguagem em comum com seus dois filhos, em contrapartida, conseguiu entendimento perfeito com um filho adotivo, Samuel. Poderíamos citar muitos exemplos. Toda a Bíblia se encontra à nossa disposição, sob esse aspecto. Recordemos o caso mais trágico: o rei David. Odiado por todos os seus filhos. Somente um o respeitava, Salomão. E talvez pelo interesse criado: herdar o trono do pai. Os filhos são por natureza, freudiana ou adleriana, rebeldes.

Em hebraico, NAAR significa jovem e é um vocábulo que tem a ver com um verbo cujo significado é o de sacudir-se. O jovem sacode o jugo paternalista que a sociedade quer impingir-lhe. Normal e natural. Á medida que cresce, vai se estabilizando. Os grandes rebeldes da juventude costumam ser, na idade adulta, acomodados e sorridentes burgueses. Tempestades de verão que passam rapidamente. O problema dos pais é... conservar a cabra: o DIÁLOGO. Coisa que não é nada fácil. Atender é entender. Os que estão há vários anos na educação conhecem muito bem a contínua ladainha dos pais: trabalham tanto os coitados, que não encontram tempo para seus filhos.

E assim vai morrendo a cabra. Claro que vivemos na era atômica, atomizada com ares de rebeldia nata que o bebê absorve tão logo abre os olhos para o mundo. A rebeldia automática. Haja ou não causa para ela. A frustração do diálogo antes que nasça. Por sorte, todos somos – ou seremos – pais. Claro que, também, temos memória frágil e vamos de um extremo a outro. E se não abrirmos e ampliar-mos as estreitas VISEIRAS mentais, corremos o sério risco de que, lentamente, a cabra vá morrendo...

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