CPVI - Centro de Pesquisa da Visão Integrativa

Tel: (11) 3256 3368

E-mail: cpvi@cpvi.com.br

Domingo, 23 de Julho de 2017 - Bom dia!
Óculos / Lentes
Acupuntura
Artigos Diversos
Baixa Visão
Cirurgias Oculares
Dependências
Editorial
Espiritualidade
Exercícios Oculares
Funções dos olhos
Homeopatia
Iridologia
Medicina psicossomática
Palestras
Qualidade de Vida
Vídeos
Eventos
Links
Depoimentos
Faça sua adesão na CPVI

Espiritualidade

Qual o papel da fé?


Em hebraico, a palavra "bitachon" é usada para designar tanto fé quanto segurança. Não por mero acaso. Ao contrário, quem tem fé sente-se seguro, protegido por uma força superior, seja ela qual for, podendo ou não ser chamada de Deus. Essa força superior não nos poupa das dores, mas nos ajuda a enfrentá-las, suportá-las e até mesmo vencê-las. Mas não faz o trabalho sozinha.

Segundo o professor Antonio Flávio Perucci, titular do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), especializado em Sociologia da Religião, é preciso cuidado quando se trata do tema. “A fé não cura”, afirma ele, “quem cura são os profissionais da medicina, não da religião. Quando a fé cura, é porque houve um milagre. Fato extraordinário, portanto, isolado, o milagre não se estende a toda a população que padece daquele mal – apenas um se cura num número imenso de casos”.

A maior preocupação de Perucci são os casos em que a fé, ao invés de ajudar, atrapalha o tratamento, como aconteceu com um pai-de-santo de uma cidade próxima a São Paulo, falecido há pouco: seus filhos-de-santo acreditavam que o mal que o atacara era provocado por um feitiço. Por isso, todas as vezes que os médicos propunham uma intervenção mais drástica, ela era interceptada por seus seguidores, que protelavam as ações, tornando o processo extremamente lento e ineficaz.

Ele lembra também a tuberculose, doença infecciosa causada pelo bacilo de Koch, cujo tratamento leva cerca de seis meses, à base de comprimidos e cápsulas. Muitos pacientes deixam de tomar a medicação quando começam a se sentir bem – o que é um grande erro, pois só o médico pode avaliar se o doente está curado. “Não é a fé que vai curar o tuberculoso”, observa o professor, “mas o tratamento prescrito pela ciência”.

No entanto, ele concorda que, embora a fé não cure, ela é uma ótima coadjuvante da medicina, podendo evitar a depressão, fazendo-nos mais fortes, mais otimistas. Nesse caso, ela surge como um sucedâneo da confiança que as pessoas depositam em si próprias, ou em qualquer outra coisa, como um amuleto, um santo, um ritual. “Na verdade”, observa, “essa crença, essa confiança, tem o poder de concentrar as energias da pessoa numa única direção, fazendo com que ela passe informações positivas para si própria, o que auxilia no processo de recuperação”.

Embora a ciência não tenha ainda obtido provas de que a fé possa curar, atualmente os meios médicos tendem a acreditar que ela ajuda e até predispõe o paciente à cura. Desde a década de 90, algumas faculdades de Medicina e de Enfermagem dos Estados Unidos já incluíam em seus currículos o estudo das relações entre espiritualidade e saúde. De acordo com um trabalho da Universidade de Yale (EUA) publicado no boletim da Associação Médica Americana, esse número era de 17 faculdades em 1994, subindo para 84 em 2004. No Brasil, a Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará inaugurou em 2004 um curso opcional de 20 horas voltado para o tema. Em um ano, cem alunos participaram dele.

Na busca por respostas, as pesquisas se multiplicam. Os cientistas desejam descobrir como o organismo das pessoas reage quando elas estão imbuídas de fé, de confiança, cultivando a espiritualidade por meio de orações, rituais e meditação. E quais as conseqüências dessas reações no sistema imunológico dos pacientes e na capacidade de ajudar o organismo a combater a doença. O psiquiatra Harold Koenig, diretor do Centro para Estudos de Religião, Espiritualidade e Saúde da Universidade Duke, na Carolina do Norte (EUA), e que nos últimos 20 anos realizou 24 pesquisas sobre o tema, confessa-se surpreso com os resultados da investigação a respeito dos efeitos da fé sobre o sistema imunológico. Durante dez anos (1982 a 1992), foram colhidas amostras de sangue de dois grupos de pessoas com mais de 65 anos: um que freqüentava a igreja e outro que não tinha hábitos religiosos. Os níveis de interleucina-6, proteína do sangue que indica o estado do sistema imunológico, foram mais altos no primeiro grupo, revelando a maior resistência daqueles pacientes. A partir de tais pesquisas, a fé pode ser entendida como um esteiro, um arrimo, uma âncora por alguns cientistas, enquanto outros julgam tais investigações apenas perda de tempo, pois não as consideram bem fundamentadas.

Mas enganam-se aqueles que imaginam ser a fé apenas um aspecto da religiosidade – aqui entendida como as práticas cotidianas daqueles que professam uma das inúmeras religiões existentes. Para alguns estudiosos e teólogos, a fé é, acima de tudo, uma característica da espiritualidade – atributo das pessoas que possuem intensa atividade espiritual, crêem em poderes extra-sensoriais e conseguem se recolher, se concentrar e buscar forças dentro de se próprias. Para eles, a fé não é uma coadjuvante da cura exclusiva dos religiosos, mas está ao alcance de todos aqueles que cultivam o espírito.

Fonte: Revista da Abrale