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Funções dos olhos

Patologias - Daltonismo


Num mundo cada vez mais sinalizado por cores, daltônicos precisam desenvolver estratégias para tarefas simples como escolher a roupa mais adequada ou acertar a linha do metrô.

O que para a maioria das pessoas não passa de uma rotina para um daltônico pode ser motivo para a criação de uma estratégia. Escolher uma roupa, checar a bateria do celular e guiar até o trabalho podem ser atividades bem pouco triviais para quem não consegue identificar cores ou a variação entre elas. Que o digam os daltônicos.

O daltonismo é uma doença congênita que provoca a confusão de cores, principalmente o verde e o vermelho. Encarar semáforos, linhas de metrô identificadas com cores e carregadores de celular com recursos bicolores podem representar um desafio para os daltônicos, mas nada que não seja superado com jogo de cintura e bom humor.

Edmundo Martinelli, oftalmologista em Santo André, em São Paulo, é daltônico. Segundo ele, a condição, que o impede de diferenciar verde e vermelho, foi detectada ainda na infância. “Eu tinha chances de ter a doença, pois meu avô materno era daltônico”, conta. “Não deu outra: eu e meu irmão temos o problema.”

O daltonismo é uma condição transmitida geneticamente, e de maneira bastante peculiar. “Todas as anomalias de verde e vermelho são herdadas num padrão recessivo, o que significa que aparecem quase que exclusivamente em homens. As mulheres são, na maioria das vezes, as portadoras do gene”, explica o neuroftalmologista Alencar Sulzbacher, formado pela Universidade de Tübingen, na Alemanha. “Com isso, elas têm visão para cores normais, mas seus filhos têm 50% de chance de manifestar a anomalia.”

Mas, afinal, o que é daltonismo?

No fundo do olho existem fotorreceptores, células que recebem, transformam e enviam a informação luminosa ao cérebro, chamadas cones e bastonetes. Na região central da visão prevalecem os cones, que são responsáveis pela percepção de cores e possuem pigmentos visuais distintos para as três cores primárias: vermelho, verde e azul.

“Os daltônicos possuem defeitos nos cones, o que os faz perder a capacidade de identificá-las total ou parcialmente” diz Sulzbacher.

Existem diversas formas de daltonismo. Os tricromatas podem ter dificuldade para enxergar o verde e suas nuances. O mesmo acontece com o vermelho e o azul, sendo o último mais raro. Daltônicos tricromatas têm dificuldade para diferenciar tonalidades de uma mesma cor e cores próximas (figura 1). É o que acontece com o estudante de comunicação Vitor Galvane, de 22 anos. “Confundo as cores muito parecidas, como verde-água e cinza”, explica. “Pode ser que elas sejam completamente diferentes, mas para mim dá no mesmo.”

Daltônicos que confundem duas cores primárias são classificados como dicromatas. Entre eles estão os que misturam o verde e o vermelho (e vice-versa) e, bem mais raros, os que confundem o azul com as outras cores básicas. Ainda mais incomuns são os daltônicos acromatas, que enxergam apenas preto, branco e tons de cinza. “Casos de acromatopia são raríssimos, cerca de um em cada 300 mil pessoas”, afirma Sulzbacher.

 

Fig. 1 - Distinguir nuances é uma das dificuldades mais comuns no daltonismo

Peripécias num mundo colorido

Existem diversos testes para detectar se uma pessoa é daltônica. Segundo Walter Takahashi, chefe do setor de retina do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o mais usado é o teste de Ishihara (figura 2). “A doença é normalmente diagnosticada na infância, quando a criança começa a confundir cores”, esclarece. “É importante que isso aconteça nessa época para que professores sejam alertados e o desempenho do aluno não seja afetado.” As confusões podem acontecer em aulas como as de geografia, em que códigos de cores são muito usados. “Todos os meus lápis de cor tinham etiquetas com o nome das cores”, lembra o oftalmologista Martinelli. A dificuldade o perseguiu até no curso de medicina. “Nas aulas de histologia, tudo era baseado em cores”, diz. “Nas provas, tinha que pedir ao professor que me dissesse a cor de cada parte que ele queria identificada.”

Muitas vezes a única saída acaba sendo perguntar. Este ano, Martinelli viajou sozinho para a Espanha, onde diversas linhas de metrô são sinalizadas por cor. “Eu tinha que parar e seguir a linha no mapa até o final”, conta. “Hoje existem diversos códigos desse tipo. O problema é que a associação com cores pode ser fácil para a maioria das pessoas, mas não para os daltônicos.”

Mesmo assim, o daltonismo não é considerado uma doença debilitante, apesar de dificultar algumas atividades diárias e impossibilitar certas escolhas profissionais. “Um daltônico nunca poderá ser piloto de avião, engenheiro elétrico ou eletricista, por exemplo”, diz Takahashi. Por outro lado, segundo Sulzbacher, daltônicos já foram muito requisitados em guerras para encontrar pontos camuflados. “Isso acontece porque, mesmo com dificuldades de identificar as cores, eles possuem excelente capacidade de perceber a diferença de profundidade das imagens”, diz. “É importante lembrar que a capacidade visual desse indivíduo não está comprometida.”

Vida de daltônico

A escolha de roupas é a dificuldade número um encontrada por daltônicos, e a que mais provoca gafes. “Já apareci numa reunião importante com sapatos diferentes”, conta Martinelli. “Percebi que as pessoas estavam olhando para os meus pés, mas achei que tinha colocado meias diferentes. Na verdade, estava com um sapato marrom e outro preto.” Para evitar problemas como esse, ele passou a decorar as combinações de roupas e, se precisar mudá-las, pede a opinião de outra pessoa antes de sair de casa. “Quando alguém comenta que minha camisa é diferente, fico encucado: será que gostou ou a cor da minha roupa está esquisita?”

O estudante Galvane, por sua vez, descobriu que tinha a doença em uma aula de biologia no colegial. Ficou aliviado quando viu não se tratar de uma dificuldade de aprendizado. “Não conseguia combinar as cores, mas achava que era porque não havia aprendido direito a diferença entre elas”, relata. “É claro que gostaria de ver o arco-íris como todo mundo, pois eu vejo apenas três, às vezes quatro cores. Mas não tenho problemas com isso.”

Martinelli explica a sensação com outras palavras. “As pessoas acham que eu não vejo as cores, mas não é assim que funciona. Eu as vejo, só não decodifico”, conta. “Tento explicar que é como escutar uma música: não preciso saber todas as suas notas musicais para apreciá-la. Mesmo sem saber o nome das cores que compõem o mundo, para mim ele é também muito colorido.”

 

Fig.2 - Teste de Ishihara
Pessoas com visão normal enxergam o número 8. Pessoas com distúrbio para visão de cores verde e vermelha enxergam o número 3. Pessoas com total cegueira total para cores não enxergam nada.   A maioria dos daltônicos com dificuldade pra distinguir o verde e o vermelho enxergam o numero 5. Pessoas com visão normal ou com cegueira total para cores não lêem nada.
 
Fonte: Revista Universo Visual