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Funções dos olhos

Patologias -Ceratocone


CERATOCONE: muitos têm, poucos sabem. Doença silenciosa, o ceratocone pode levar à perda da visão.

O nome estranho à maioria das pessoas está bem mais presente do que se imagina. "O ceratocone consiste em uma deformação da córnea que conduz, usualmente, à miopia ou ao astigmatismo. Em casos extremos, pode acarretar a perda da visão", alerta a especialista responsável pelo Banco de Olhos de Brasília e oftalmologista do Inob, Micheline Borges Lucas. Dados do Hospital de Olhos de Minas Gerais revelam que a doença atinge uma em cada duas mil pessoas no Brasil.

A alteração, que geralmente surge na adolescência, afeta homens e mulheres na mesma proporção e, na maioria dos casos, ambos os olhos. "Os pacientes alérgicos são mais propensos, porque têm a tendência de se coçar", explica Dra. Micheline. No caso dos olhos, o inofensivo ato de coçar pode causar lesões e elevar a pressão intra-ocular - o que é ainda mais prejudicial aos portadores de glaucoma. Em estágio avançado da doença, os pacientes relatam vista embaçada e dificuldades de enxergar. Até desenvolver tarefas simples, como dirigir, assistir TV ou ler um livro podem se tornar impraticáveis.

O maior problema relacionado ao ceratocone é a demora no diagnóstico, porque surge de maneira silenciosa. Quando em fase inicial, a avaliação clínica pode não detectar a doença. Segundo Dra. Micheline, para diagnosticá-la é recomendada a realização anual da Topografia Corneana, exame que analisa a curvatura corneana em todos os quadrantes e permite a percepção de detalhes da córnea. O teste é rápido e indolor.

Quando diagnosticada precocemente, a alteração visual causada pela patologia pode ser corrigida pelo uso de óculos. "Mais tarde, o astigmatismo irregular, decorrente do ceratocone, pode ser revertido com o uso de lentes de contato rígidas", esclarece a oftalmologista. Já os casos irreversíveis são tratados através da cirurgia do anel corneano - implante de microanéis de acrílico que deixam a estrutura da córnea inalterada e diminuem os reflexos em torno das luzes. "O transplante de córnea é a última alternativa", conclui a médica.

CUIDE BEM DOS SEUS OLHOS:

*Evite coçar os olhos, isso pode precipitar a morte das células da córnea e acelerar o processo de avanço do ceratocone.

*Não use colírios nem óculos que não tenham sido receitados pelo oftalmologista.

*Sempre que estiver exposto ao sol use óculos escuros com lentes apropriadas. Lembre-se: os efeitos causados por estes raios são cumulativos e irreversíveis.

*Visite seu oftalmologista anualmente. Muitas doenças que acarretam perda progressiva da visão são silenciosas.

Ficar cego, o grande temor

O justificável medo é mais freqüentemente relacionado ao ceratocone.

Uma pessoa, em duas mil, tem chance de ter ceratocone: uma condição que ainda assusta muita gente pela falta de informação.

O ceratocone é uma doença que se manifesta em pessoas mais jovens e se caracteriza pelo adelgaçamento da córnea que vai ficando mais pontiaguda. Essa irregularidade interfere na curvatura do olho, aumentando o astigmatismo e, conseqüentemente, distorcendo muito a imagem. "Ficar cego é o temor mais freqüente diante da diminuição progressiva da visão, que aparece durante a adolescência ou no começo da vida adulta", afirma o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares. A córnea fica mais fina e, sob ação da pressão interna do olho, ele se projeta para frente formando um cone. Deformada, a córnea não serve mais como uma boa superfície refratora da luz e a acuidade visual fica prejudicada. Não há como reverter esse processo. O que pode ser feito é buscar a estratégia mais adequada para melhorar a qualidade de vida do portador dessa condição. Muitas pessoas não percebem de imediato que tem a doença, porque ela se apresenta disfarçadamente, por vezes, confundindo-se com a miopia ou o astigmatismo. O primeiro sintoma que leva um paciente a procurar o oftalmologista é a visão embaçada, que num primeiro momento pode ser diagnosticada apenas como astigmatismo. Caso o oftalmologista suspeite de ceratocone, pode solicitar um exame chamado topografia corneana, a fim de diagnosticar os casos da doença em sua fase inicial. Mesmo assim, o diagnóstico precoce não impede que a moléstia evolua. A topografia corneana computadorizada ou fotoceratoscopia pode fornecer um retrato mais acurado da córnea e mostrar irregularidades em qualquer área de sua superfície. O ceratocone pode resultar em um mapa corneano extremamente complexo e irregular, tipicamente mostrando áreas de irregularidades inferiormente em forma de cone, o qual pode assumir diferentes formas e tamanhos. O exame deve ser realizado freqüentemente e possibilita uma melhor adaptação das lentes corretivas do problema por criar um mapa corneano individualizado.

Causas da doença

O ceratocone geralmente surge na adolescência, em média por volta dos 16 anos. Raramente desenvolve-se após os 30 anos de idade. Afeta homens e mulheres em igual proporção e em 90% dos casos afeta ambos os olhos. Em geral, a doença desenvolve-se assimetricamente: o diagnóstico da doença no segundo olho ocorre cerca de 5 anos após o diagnóstico no primeiro olho. A doença progride ativamente por 5 a 10 anos e então pode estabilizar-se por muito tempo. Durante o estágio ativo, as mudanças podem ser rápidas, segundo informação do oftalmologista Edson Branzoni Leal.

Origem da doença

Ainda não é conhecida, acredita-se que seja de origem hereditária e não há métodos de diagnosticá-la logo no início. Portanto, filhos de portadores de ceratocone precisam ficar mais atentos. É possível que o ceratocone seja o resultado final de diferentes condições clínicas. São bem conhecidas a associação de doenças hereditárias, doenças atópicas (alérgicas), certas doenças sistêmicas e o uso prolongado de lentes de contato. Estudos apontam uma possível relação entre processos alérgicos e o aparecimento do ceratocone. No grupo de 1209 indivíduos acompanhados pelo Collaborative Longitudinal Evaluation of Keratoconus (CLEK), o maior estudo de acompanhamento de pacientes com a doença, 53% apresentaram algum tipo de alergia ou febre do feno (hay fever), uma rinite alérgica sazonal. O problema maior está quando essa alergia provoca coceiras intensas no olho. Se o paciente tem curvatura maior que o padrão e é coçador dos olhos, é preciso tratar essa alergia com medicamentos antialérgicos. Senão, os riscos de machu
car a córnea são mais altos.

Mudança rápida

Pacientes com ceratocone têm modificações freqüentes nas prescrições dos óculos, em curto período de tempo. No estágio avançado da doença, os óculos já não fornecem uma correção visual satisfatória. Estes pacientes freqüentemente relatam diplopia (visão dupla) ou poliopia (visão de vários objetos) no olho afetado e queixam-se de visão borrada e distorcida tanto de longe quanto de perto. Alguns mencionam halos em torno das luzes e fotofobia (sensibilidade anormal à luz).

Tratamento

O tratamento se divide em três estágios: num primeiro instante com lentes corretivas (óculos); depois a opção por lentes de contato rígidas ou lentes de contato especiais e em último caso (quando a doença já atingiu um grau avançado) é feito o transplante de córnea que tem tido prognóstico satisfatório. A intervenção cirúrgica não pode ser feita nas fases iniciais da doença. "O risco cirúrgico na fase inicial é maior", afirma Edson Branzoni Leal.

Fonte: CPVI