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Dependências

Dependências e Vícios


O vício não é um mecanismo único e básico, que possa ser explicado e rotulado de maneira simples. Ao contrário, existe toda uma série de componentes que interfere, influenciando o comportamento de uma pessoa, até que ela chegue ao vicio.

A própria natureza deu, a todos nós, o desejo de querer repetir uma experiência, se ela foi agradável. Precisamos dessa capacidade para comer, beber, fazer sexo, para assegurar nossa sobrevivência e manter a espécie.

Quando falamos em vício e dependência, estamos nos referindo a um comportamento repetitivo e destrutivo, relacionado ao abuso de substâncias ou de atividades, levando a terríveis conseqüências físicas e sociais. As explicações para esse comportamento são as mais diversas.

Muitos vão dizer que é uma fraqueza de caráter de pessoas que não são capazes de assumir responsabilidades e que são auto-destrutivas. Outros vão dizer que é falta de autocontrole e sinal de ignorância. Muitos psicólogos e psiquiatras as tratam como tendências e traços de personalidades de pessoas que seriam viciáveis. Os estudiosos de linha fisiológica dizem que se trata de um problema genético-heraditário, enquanto os de linha mais social afirmam ser uma situação culturalmente determinada.

No entanto, a teoria mais amplamente aceita é a de que os vícios são doenças. Popularizada pelos Alcoólicos Anônimos, esta teoria trata o vício como algo anormal e irreversível, contra o qual a total abstinência para o resto da vida seria o único tratamento.

Este modelo de explicação é facilmente assimilável, porque agrada a muita gente. Os alcoólicos, porque se vêm como doentes, como vítimas que precisam de tratamento. Os não alcoólicos, porque acham que não precisam se preocupar, já que não são portadores da doença. E os médicos, porque ganham pacientes.

A indústria de bebidas é a que mais valoriza essa idéia, uma vez que o problema não estaria no álcool, mas na pessoa.

Isto é uma absurda distorção, pois o álcool é uma droga perigosa que pode levar à morte.

A verdade é que vícios precisam ser estudados levando-se em conta não só o indivíduo, mas também o meio em que ele vive e qual a substância ou atividade envolvida na dependência.

Todos temos comportamentos viciantes e dependências, mas a maneira como isso é vivido pode levar à necessidade de tratamento, ou não. Existem maus hábitos, compulsões e até fissuras, com mecanismo cerebral idêntico ao de vícios como, por exemplo, o da heroína e cocaína: vício por comer chocolate; por navegar na Internet; por corrida de carros; ou o de lavar as mãos constantemente ou até mesmo o de brincar com vídeo games. Mas, se observarmos do ponte de vista comportamental e mesmo fisiológico, as conseqüências trazidas por esses vícios nem se aproximam daquelas provocadas pelas drogas pesadas, que levam à delinqüência e à autodestruição.

As pistas

Existem características que nos ajudam a diagnosticar comportamentos e situações que denunciam os vícios como perigosos e determinam a pessoa dependente: A substância ou a atividade inicial causa muita sensação de prazer.

O corpo desenvolve uma tolerância física pela substância ou atividade, de tal maneira que a pessoa passa a necessitar de maiores quantidades, para obter o mesmo efeito.

Independente da tolerância física, o vício envolve uma dependência psicológica, associada ao desejo e fissura, que causa um tremendo desconforto.

O vício provoca alterações cerebrais, fisiológicas, químicas, anatômicas e comportamentais.

Requer uma experiência inicial com a substância ou atividade. O primeiro contato é a iniciação, que pode levar ou não à dependência, mas que, quando acontece, vai proporcionar ao cérebro e ao corpo os efeitos que vão fazer com que a pessoa queira repetir a experiência.

O vício provoca distúrbios na conduta, toma tempo e energia, afasta a pessoa do convívio social amplo, levando-a a um pensamento obsessivo na droga ou no ato.

A sensação de alívio provocada pelo vício é tão forte, para o dependente, que isso explica porque é tão fácil parar e recair seguidas vezes. O desconforto terrível provocado pela retirada é ainda menor que o prazer do recomeço.

Traços comuns

Os dependentes também evidenciam características em comum:

  • São vulneráveis e susceptíveis ao contato com a substância ou atividade que vai levá-los à dependência.
  • Tendem a gostar do risco, de sensações fortes e pensam que jamais vão se tornar dependentes da droga que experimentaram.
  • Têm preferência por uma droga ou atividade em particular e desenvolvem sua própria maneira de utilizá-la.
  • Demonstram dificuldade com o autocontrole e em lidar consigo mesmo.
  • Não suportam bem as situações de estresse e não são bons colaboradores, no grupo.
  • Tendem a não reconhecer as dificuldades para tomar decisões quanto às suas vidas.
  • Parecem suportar muito mais as altas quantidades de drogas.
  • Alcoólicos, por exemplo, são capazes de beber altas doses, antes de começar a sentir os efeitos do álcool.

As circunstâncias

Não existem dúvidas quanto aos componentes hereditários herdados pelos dependentes, mas sabe-se que os sociais são detonadores poderosos. Não sabemos o que teria acontecido com o talento literário de Shakespeare se ele não tivesse aprendido a ler e escrever.

Edythe London, PhD, estudiosa e pesquisadora da drogadição, afirma que a dependência se estabelece em estágios, começando pela iniciação a uma substância ou atividade que trazem grande prazer físico ou psicológico.

Depois vêm os estímulos fora da droga ou atividade, que ajudam a mater o hábito. Esses estímulos estão ligados à memória da experiência, ao prazer e à alegria vivenciados, da excitação em obter a droga, da preparação e da convivência com o grupo que partilha a vivência.

O importante da abordagem atual sobre dependências é que associamos a biologia à química, fisiologia e meio ambiente. Com essa visão, fica clara a complexidade do problema e a necessidade de se criar novos programas de prevenção e estratégias para combate ao abuso de drogas, que não sejam apenas coercitivos. Sabendo que existe uma base natural para a dependência, podemos fugir do conceito de que só pessoas fracas, más ou doentes vão ter problemas com isso.

Não adianta apenas ensinar a dizer não, o que equivale a querer ensinar a não comer, não beber ou não fazer sexo. O conceito e muito mais amplo e complexo, exigindo de todos nós uma profunda reflexão.

Fonte: Artigo retirado do "Jornal do Band", publicação do Colégio Bandeirantes (SP)