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Dependências

Alcoolismo: O problema é nosso

O PROBLEMA É NOSSO

 

            Se quisermos fazer qualquer progresso no tratamento e prevenção do alcoolismo ou de dependência química, devemos ter conhecimento do que sejam estas condições e quais medidas são efetivas para superá-las.

 

Alcoolismo e outras dependências químicas são doenças.

 

            Não são falhas morais e nem manifestações de falta de personalidade. Eles não podem ser curados com lições de moral, agrados, ameaças nem com punição. Essas técnicas são tão ineficientes contra o alcoolismo e o vício em drogas quanto para curar diabetes ou pneumonia.                      

           

Você talvez questione: “Como você compara o alcoolismo e dependência a drogas com diabetes? Ninguém fica diabético por vontade própria, mas o alcoólatra bebe voluntariamente”.

 

            Apesar das causas do alcoolismo e do vício ainda não estarem muito claras, alguns fatores são evidentes. Parece existir, pelo menos em certas pessoas, uma predisposição genética ou vulnerabilidade. Existem fatores sociais e de meio ambiente que contribuem, fatores emocionais ou psicológicos e fatores bioquímicos ou psicológicos.

 

            Numa sociedade onde beber não somente é tolerado, mas ativamente incentivado, ninguém pode ser culpado por tomar a primeira dose ou por beber socialmente. Na verdade, se alguém fez um bar mitzvá ou um casamento e não serviu suficientes doses de Lechaim, ele certamente foi visto como careta ou considerado um “mão de vaca”.

 

            Muitas pessoas consomem pequenas quantidades de álcool sem efeitos adversos. Entretanto, em algumas pessoas os efeitos são marcantes e podem ser resultantes de uma combinação de fatores físicos e psicológicos. Podem haver mudanças marcantes de personalidade depois de se beber quantidades moderadas de álcool. A pessoa que é extremamente tensa ou atormentada por problemas de consciência ou depressão subitamente se sente leve para agir, dormir ou se socializar. Às vezes, apenas algumas doses despertam uma vontade por mais álcool, forte e irresistível.

 

            As primeiras bebidas podem não resultar em problemas, mas persistindo essas condições, a quantidade de álcool para se chegar ao efeito desejado ou para deixá-lo satisfeito, será cada vez maior. Embora os efeitos adversos do álcool fiquem óbvios para as pessoas de fora, o alcoólatra (que ele ou ela se tornou) é incapaz de perceber tais sintomas, ou se os percebe, não os relaciona com o álcool. Uma das características do álcool é que ele leva quem bebe a não perceber seus efeitos danosos.

 

            Não podemos culpar uma pessoa pelo uso social ou moderado de álcool nem pelo fato do seu corpo não processá-lo normalmente. Tampouco pelo fato deste cegá-lo dos efeitos adversos. Consequentemente, não podemos culpar a pessoa por não tomar providências para superar um problema do qual não tem consciência.

 

            O que é verdade para o álcool também é verdade para outras substâncias químicas. Muitas pessoas inocentemente, tomam tranqüilizantes como Valium ou Lexotan, analgésicos como Percocets ou Percodan, ou outros sedativos geralmente prescritos para alívio nervoso, alívio da dor ou da insônia.

 

            Isto freqüentemente é feito com a aprovação dos médicos. Nem o médico nem o paciente chegam a levar em consideração a possibilidade de dependência – mas isto ocorre, e não é pouco freqüente – e os efeitos comportamentais são semelhantes aos do alcoolismo.

 

            E o que ocorre com drogas como maconha, heroína e cocaína? Eu certamente não consigo justificação para pessoas que utilizam essa drogas. Entretanto, temos que encarar a dura realidade de que muitas pessoas que utilizam essas drogas, em particular os jovens e sobretudo nos “campi” universitários. Nem toda pessoa que experimenta drogas se torna adicto, mas um grande número de pessoas o fazem, e não existe uma forma de se prever quem é adicto em potencial.

 

            Como mencionei, quando a adicção (vício) ocorre, ela é negada pelo adicto e freqüentemente por sua família. Como os membros da família estão sóbrios, eles eventualmente chegam a reconhecer o problema antes do indivíduo afetado, e é crucial que eles busquem ajuda nos recursos apropriados.

 

            Geralmente a adicção existe somente em ambientes que permitem sua presença. Assim como o fogo depende do oxigênio e pode ser apagado pelo corte do seu suprimento, também a adicção pode ser, pelo menos, desencorajada se o seu “oxigênio é cortado.

 

            Em meu livro Caution: Kindness can be Dangerous to the Alcoholic – Prentice-Hall 1981, (Título em português: Como lidar com o Alcoólatra, Ed. Paulinas – NT) eu analisei o fenômeno da “facilitação”. Pessoas próximas ao alcoólatra ou dependente químico tais como pais, cônjuges e outros membros da família ou empregadores geralmente tentam “ajudar” a pessoa dependente de drogas, mas eles não têm consciência que, na realidade, estão estimulando o vício.

 

            Quando um filho é preso por uso de droga, os pais geralmente o livram da cadeia ou pagam advogados. Eles cobrem os cheques sem fundo. Continuam dando casa e comida apesar dele chegar em casa dopado toda noite. Eles xingam e ameaçam quando ele rouba em casa, mas nunca registram queixa.

 

            O marido de uma alcoólatra pode esconder o problema da família dela, inventando desculpas por seus erros. Os filhos podem assumir a operação da casa. A “vergonha” da mãe bebendo ou zonza por causa de remédios é um segredo bem guardado.

 

            A esposa de um alcoólatra tentará manter as crianças quietos ou longes de seus olhos “para não irritar o papai”. Ela irá inventar desculpas para o chefe quando ele não conseguir ir trabalhar e vai jogar fora ou esconder as bebidas. Ela ficará a seu lado num bar mitzvá ou casamento e depois que ele beber algumas doses, ela o levará embora. Ela irá isolar socialmente. Ela irá deixá-lo e somente voltará com a promessa que ele não vai mais beber ou usar drogas novamente; sem entender que está pedindo uma promessa que ele não será capaz de cumprir.

 

            Existe ajuda as famílias em grupos como AlAnon, ou outros grupos de auto ajuda que apóiam a família (Amor-Exigente – NT). “Mas como eu ousaria ir a tais reuniões? As pessoas ficarão sabendo que nós temos um problema na família, isso irá destruir a nossa reputação”. Nas famílias onde os casamentos ocorrem por apresentação (shiduch), o medo à exposição é particularmente intenso. “Se as pessoas souberem que meu marido tem problema com álcool ou droga, ninguém vai querer fazer um shiduch (apresentação) com qualquer um de nossos filhos”.

 

            Eu gostaria de ter uma solução para este dilema. Lamentavelmente, não existe. É importante ressaltar que um problema de álcool ou droga não tratado é, invariavelmente, progressivo e não poderá ser ocultado no longo prazo da mesma forma que ninguém consegue esconder uma gravidez além da fase inicial.

 

            Deve ser extremamente horrível para os pais submeterem um filho pequeno a uma amputação de uma perna caso se descubra que ele tem câncer ósseo. A única razão para eles consentirem com esse procedimento que deforma é porque eles sabem as conseqüências de não realizá-lo. Eles sabem que o câncer não tratado é progressivo e fatal.

 

 

 

 

            Esta é a atitude que as pessoas devem tomar em relação à adicção. A falta de tomada da decisão certa permitirá o progresso do vício, do álcool ou da droga até que ele se torne óbvio que não é mais possível ocultá-lo. Contudo, nesse meio tempo, enormes prejuízos a todos os envolvidos já ocorreram.

 

 

 

 

 

            Quando o alcoólatra ou adicto aceita tratamento, este deve ser feito por uma pessoa ou instituição com notória competência nesse campo. Alguns psiquiatras podem mascarar o problema de adicção e tentar tratar “a causa de ansiedade ou depressão profundas”. Essa abordagem é invariavelmente inócua e apenas retarda o efetivo tratameto.

            A coluna cervical de uma recuperação de longo-prazo é a participação nos Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos ou outros grupos de auto-ajuda. Algumas pessoas têm uma noção errada de que esses programas são para Cristãos e portanto, não adequados para os Judeus. Essa concepção errada é o resultado da falta de conhecimento sobre esses grupos. Os doze passos essenciais de recuperação do AA, NA e PA não conflitam de forma alguma com os princípios religiosos do Judaísmo.

 

 

 

 

 

Nota do Tradutor: Familiares podem procurar NarAnon ou Amor-Exigente. Interessados em maiores detalhes desse assunto na comunidade Judaica ou coordenadores de grupos que necessitem de material podem obter informações através do JACS (Judeus em recuperação de Álcool, Comprometimento com drogas e Seus parentes e amigos, e-mail:

chegadedrogas@email.com, fax:011-3825-5923 ou pela Internet: www.eifo.com.br/jacs e em Inglês no www.jacsweb.org).

 

Telefone úteis para Adictos:

AA (Alcoólicos) – 3315-9333

NA (Narcóticos) – 5594-5657

 

Telefones úteis para Familiares

NarAnon (familiares dep, Narcóticos) – 3227-8983

Amor-Exigente (familiares em Geral) – (0xx19) 3252-2630

 

Fonte: Dr. Abraham J. Twerski